Mais ordem do que progresso

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Ônibus queimados, população versus policia, pelos fatos recentes nunca ficou tão claro que o Brasil não é adepto a mudanças

Desde o ano passado quando começou a onda de protestos contra o aumento da tarifa, as reações da população brasileira mostraram a dificuldade da nação em lidar com situações que fogem do seu controle. Durante este período a cobertura da mídia só reforçou este desconforto.

A imprensa tem usado o seu poder de persuasão para influenciar e determinar momentos importantes da história.No Brasil, quem não se lembra das eleições de 1989, quando a TV Globo favoreceu de diversas maneiras do candidato Fernando Collor de Mello? Ou o triste caso da Escola Base, ou para sair um pouco da faixa tupiniquim, a cobertura do famoso caso Watergate, nos EUA.

Não seria diferente quando no ano passado aconteceram às manifestações pela diminuição da tarifa do transporte público, em um primeiro momento a mídia indiretamente se inclinou para reforçar visões já pré-estabelecidas. Todos que estavam ali nas manifestações foram considerados baderneiros, arruaceiros, filhinhos de papai, etc. Os discursos televisivos e os editoriais de jornais reforçaram dia após dia essa visão.

Logo depois, quando o estado reagiu de forma repressora atacando os manifestantes e repórteres que cobriam as reivindicações, a mídia mudou sua posição e passou a enxergar os atos com um propósito consistente, mostrando outra realidade para os expectadores. A revolta gerada pela ação do estado trouxe ainda mais pessoas à rua.

A nova etapa das manifestações gerou perguntas. A impressa queria entender quem eram os responsáveis por essa comoção social que ia além do aumento da tarifa do transporte público. Várias outras propostas se fundiram com os protestos, outros grupos viram a oportunidade para expor suas ideias e descontentamentos em relação ao país.

Um novo grupo intitulado Black Blocs, trouxe uma forma diferente de se manifestar, eles reagiam de forma violenta, destruíam bancos, lojas e depredavam ônibus. Era um comportamento não compatível com a reivindicação justificada e defendida pelos outros manifestantes. Novamente a mídia mudou de posição, com o radicalismo dos Black Blocs, os atos ganharam um tom de vandalismo. O estado não viu alternativa se não reforçar sua posição, o uso da força agora era justificável.

O que fica implícito neste comportamento do estado, é que há um sentimento de que a ordem está acima do bem e do mal, e que para promovê-la os fins justificam os meios. A própria história mundial revela que o estado vem usando sua força há muito tempo, A guerra contra o comunismo, por exemplo, promovida após a Segunda Guerra Mundial pelos EUA, trouxe consequências graves para os países da América Latina como o Brasil.

Houve um investimento no uso do militarismo para conter a proliferação do pensamento comunista em vários países. Era a oportunidade que o estado estava esperando para demonstrar sua capacidade de controle.

Na ditadura isso se tornou mais visível, aqueles que não concordavam ou não estavam dispostos a cooperar eram repreendidos drasticamente. Esse pensamento deixou sequelas no comportamento da nossa sociedade, não é atoa que ainda hoje encontramos tanta resistência para lidar com questões de que afetam a “ordem”, como foi o caso das manifestações.

O pensamento repressor do estado mais o incentivo indireto da mídia contribuíram para que as manifestações perdessem sua força. Não importa se há um motivo aceitável para as reivindicações, o estado sempre privilegiará a ordem ao invés dos nossos direitos, mesmo que essa ordem só exista na cabeça de poucos.

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