O lado sombrio dos macacos…

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Não vou mentir, quando escutei o novo CD dos Arctics Monkeys – AM. Pensei na hora: Caramba, o que eu tô fazendo que ainda não montei a minha banda. Talvez seja a empolgação dos dias, ou até os riffs extremamente melódicos, mas o álbum chamou a minha atenção. Melhor, me despertou para algo.

Do I wanna know?

Essa é a música que abre o disco e para mim está entre as melhores. O que foi uma boa escolha do quarteto para single. Tem uma levada de bateria repetitiva e transmite muito bem o espirito sombrio que sobrevoa todo o álbum. Seguida pela eletrizante R U Mine? (outra pergunta Mr. Alex Turner?) com um riff bem característico, uma bateria bem trabalhada e energética.

One for the road, tem algo de Queens Of The Stone Age nesta música, e eu não estou falando dos vocais emprestados do Josh Home. Ao mesmo tempo, ela se difere do estilo do Queens por ter seu próprio ritmo. Fornecendo um momento de calma depois do estouro que é R U Mine?.

Em Arrabela, apesar dos vocais agudos, falsetes entre outras coisas, não é uma música muito interessante. Ela possui algumas boas partes em que há um destaque para as guitarras, inclusive com um solo, porém não passa disso. I Want It All, outra que poderia ter sido e não foi. Também possui falsetes e um riff repetitivo, e a vaga impressão que ela só está ali para ocupar espaço.

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No 1.Party Anthem, foge totalmente do ritmo do disco até aqui, uma freada em um momento de alta velocidade. Ela caracteriza uma mudança brusca no andamento do disco. Poderia até me atrever a dizer que ela não deveria estar ali, porém, para o contesto do álbum, acho que ela cai bem. É uma balada tristonha, mas boa para aquele momento em que você quer pensar na vida.

“Mad Sounds”, bom essa música me lembrou um pouco o “Sunday Morning” – Velvet Underground. Lembrando que o próprio Alex Turner, disse que a ideia para o nome do disco foi tirada da coletânea VU do Velvet, não sei. Diria que ela é dispensável já que sucede No 1.Party Anthem que já é bastante lenta.Fireside”, já de cara podemos escutar violões, é uma faixa bem construída, me lembrou um britpop, tem uma pegada Humbug. Tem seu lado interessante, mas não é uma música que chama a atenção.

Há algumas semelhanças entre “Do I Wanna Know”, e “Why’d You Only Call Me When You’re High?”  Além de as duas faixas serem uma pergunta, Why’d you, possui uma bateria marcante como “Do I Wanna Know”, porém devo dizer que não obtém o mesmo impacto que a primeira faixa, podendo até ficar meio apagada na lembrança sonora do ouvinte.

“Snap Out Of It”, um sopro contagiante, mas sem tirar o espirito sombrio, talvez pelos acordes usados, de qualquer maneira, é uma faixa que da uma levantada, com bastantes volcais agudos e um ar anos 60. “Knee Socks” começa com um riff animado para depois cair em um ar mais calmo, também recheada de vozes, alias é o que mais se ouve neste álbum, qualquer menção ao Josh “Stoner” Homme, não é mera coincidência.

A última faixa do álbum “I Wanna Be Yours”, uma declaração de amor, que bera a obsessão com versos como “I wanna be your setting lotion ,hold your hair in deep devotion ,at least as deep as the Pacific Ocean”, entre outros. Há um ar mórbido que segue Alex enquanto canta, os acordes tocados sobre a linha de baixo que sustenta a música, junto com uma bateria omissa dão o espirito necessário para essa sensação de fim.

No geral, é um bom álbum, tem seus grandes momentos, assim como possui algumas derrapadas. Não consideraria a obra definitiva da banda, mas sim algo intermediário para algo que irá vir a ser.

Nota: 7

A primeira regra é não falar sobre…

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Aclamado e odiado pela turma Cult, um dos livros mais controversos da nossa época, o Clube da Luta consegue até hoje arrebatar fãs pelo mundo todo

É quase impossível que você não tenha ouvido falar sobre alguma regra do fictício clube criado pelo escritor americano Chuck Palahniuk, há 14 anos. Talvez o que você mais tenha ouvido é: A primeira regra do clube da luta é não falar sobre o clube da luta.

A história escrita no livro gerou até filme homônimo, dirigido pelo diretor David Fincher, e estrelado pelos atores Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter. O que você vai encontrar não é muito diferente do que se vê no filme (claro, se você já assistiu ao filme). Existem alguns detalhes distintos, principalmente com relação ao final da obra, mas o contexto e a essência são os mesmos.

O consumismo é a principal crítica do autor.  O que fica subentendido no enredo é que o consumo é o meio pelo qual o personagem principal procura manter se satisfeito. O consumo também será o motivo de ter algo errado na vida do personagem. Para aliviar o seu próprio desconforto e por recomendações de seu médico, ele resolve ir a encontro de pessoas com doenças terminais.

É em falsos choros e abraços aconchegantes que o narrador encontra a paz, mas não por muito tempo. Assim que ele vê Marla, alguém que é tão farsante quanto ele, ele volta a se incomodar. Na sua própria confusão encontra Tyler, totalmente diferente dele, seguro, corajoso, energético e até um pouco insano. Os dois se conhecem e formam o Clube da Luta (isso é um resumo bem básico, táh).

Conforme a narrativa evolui percebemos que a autodestruição provocada pelo clube é apenas um modo para se libertar. Tanto para o narrador quanto para Tyler, você só poderá ser completo se você se livrar de tudo aquilo que acha que o faz satisfeito. O livro todo é uma crítica irônica ao caminho que a nossa sociedade está percorrendo e toda a nossa fascinação e frustração pelo “ter”.

Agora sem questionamentos filosóficos, é um material de leitura fácil, você vai consumir as 272 páginas rapidamente e é bem provável que no decorrer da leitura você se identifique, questione-se. Detalhe, não é revelado o nome verdadeiro do narrador.

Apesar de ser 1996, foi relançado em 2012, pela editora Leyla Brasil e pode ser encontrados em todas as livrarias do Brasil.