Os rolezinhos e apropriação do discurso

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Não se fala em outra coisa nesse nosso Brasil de meu Deus. Aliás, aposto agora que se você procurar, alguém no seu Facebook já colocou algum post sobre o assunto. O que acontece é que nunca um passeio no shopping causou tanta comoção nas redes, como os “rolezinhos”.

Toda vez que presencio esse tipo de coisa começo a refletir sobre o que é divulgado nas redes sociais, inclusive nos círculos em que convivo. Se você é uma pessoa que acompanha o mundo das redes sociais, já deve ter notado discussões acirradas onde é inevitável comparações com pontos de vistas que caminhem ou para esquerda ou para a direita.

Aliás, nunca a web teve tanta gente se apropriando de discursos para defender suas posições. Essas pequenas guerras ideológicas tem esquentado as tardes, com produções de textos dignas de matérias especiais do fantástico. Até vídeos de vlogueiros famosos entraram na disputa, recentemente PC Siqueira colocou um vídeo no qual defende a posição de ser a favor dos rolezinhos. Alguém ai dúvida que ele foi bastante criticado?

Quando penso que a internet é um maravilhoso veículo, onde todos podem se expressar livremente, também penso que por isso, há uma vontade imensa de quem usa de censurar o outro. Não é uma coisa que fica explícita, mas é em pequenas indiretas jogadas em posts variados. É no empenho de se criar grupos no Facebook ou eventos contra isso ou aquilo, onde a opinião do outro parece ser uma ameaça a ser combatida de qualquer forma, porque afinal de contas, ele está errado e eu estou certo.

Se você expressa a sua opinião você deve estar preparado para ouvir contra argumentos e tem a noção que nem sempre isso significa uma falta de respeito com o que você acha. Você deve ter consciência do seu direito de não concordar, mas querer impor o seu ponto de vista, jamais. Porque ora, vivemos em uma democracia, mesmo com algumas dificuldades de entender como iremos aplicar esse tipo de visão na nossa vida prática. É preciso esforço para não cair na armadilha que toda essa liberdade nós dá e acabar censurado o coleguinha do lado só porque a opinião dele te incomoda.

A internet tem o poder de transformar simples conversas de bar em debates intermináveis, onde o conteúdo publicado pode ficar exposto por anos, mesmo que essa não seja a intenção do usuário. Por trás de cada computador há uma pessoa e como sabemos que ninguém é perfeito, estamos sujeitos a erros e opiniões equivocadas. É com você, comigo, conosco que esse tipo de coisa acontece, por isso devemos ficar atentos para entender que opiniões são opiniões e que todos devem ser respeitados, sem essa de censura.

O lado sombrio dos macacos…

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Não vou mentir, quando escutei o novo CD dos Arctics Monkeys – AM. Pensei na hora: Caramba, o que eu tô fazendo que ainda não montei a minha banda. Talvez seja a empolgação dos dias, ou até os riffs extremamente melódicos, mas o álbum chamou a minha atenção. Melhor, me despertou para algo.

Do I wanna know?

Essa é a música que abre o disco e para mim está entre as melhores. O que foi uma boa escolha do quarteto para single. Tem uma levada de bateria repetitiva e transmite muito bem o espirito sombrio que sobrevoa todo o álbum. Seguida pela eletrizante R U Mine? (outra pergunta Mr. Alex Turner?) com um riff bem característico, uma bateria bem trabalhada e energética.

One for the road, tem algo de Queens Of The Stone Age nesta música, e eu não estou falando dos vocais emprestados do Josh Home. Ao mesmo tempo, ela se difere do estilo do Queens por ter seu próprio ritmo. Fornecendo um momento de calma depois do estouro que é R U Mine?.

Em Arrabela, apesar dos vocais agudos, falsetes entre outras coisas, não é uma música muito interessante. Ela possui algumas boas partes em que há um destaque para as guitarras, inclusive com um solo, porém não passa disso. I Want It All, outra que poderia ter sido e não foi. Também possui falsetes e um riff repetitivo, e a vaga impressão que ela só está ali para ocupar espaço.

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No 1.Party Anthem, foge totalmente do ritmo do disco até aqui, uma freada em um momento de alta velocidade. Ela caracteriza uma mudança brusca no andamento do disco. Poderia até me atrever a dizer que ela não deveria estar ali, porém, para o contesto do álbum, acho que ela cai bem. É uma balada tristonha, mas boa para aquele momento em que você quer pensar na vida.

“Mad Sounds”, bom essa música me lembrou um pouco o “Sunday Morning” – Velvet Underground. Lembrando que o próprio Alex Turner, disse que a ideia para o nome do disco foi tirada da coletânea VU do Velvet, não sei. Diria que ela é dispensável já que sucede No 1.Party Anthem que já é bastante lenta.Fireside”, já de cara podemos escutar violões, é uma faixa bem construída, me lembrou um britpop, tem uma pegada Humbug. Tem seu lado interessante, mas não é uma música que chama a atenção.

Há algumas semelhanças entre “Do I Wanna Know”, e “Why’d You Only Call Me When You’re High?”  Além de as duas faixas serem uma pergunta, Why’d you, possui uma bateria marcante como “Do I Wanna Know”, porém devo dizer que não obtém o mesmo impacto que a primeira faixa, podendo até ficar meio apagada na lembrança sonora do ouvinte.

“Snap Out Of It”, um sopro contagiante, mas sem tirar o espirito sombrio, talvez pelos acordes usados, de qualquer maneira, é uma faixa que da uma levantada, com bastantes volcais agudos e um ar anos 60. “Knee Socks” começa com um riff animado para depois cair em um ar mais calmo, também recheada de vozes, alias é o que mais se ouve neste álbum, qualquer menção ao Josh “Stoner” Homme, não é mera coincidência.

A última faixa do álbum “I Wanna Be Yours”, uma declaração de amor, que bera a obsessão com versos como “I wanna be your setting lotion ,hold your hair in deep devotion ,at least as deep as the Pacific Ocean”, entre outros. Há um ar mórbido que segue Alex enquanto canta, os acordes tocados sobre a linha de baixo que sustenta a música, junto com uma bateria omissa dão o espirito necessário para essa sensação de fim.

No geral, é um bom álbum, tem seus grandes momentos, assim como possui algumas derrapadas. Não consideraria a obra definitiva da banda, mas sim algo intermediário para algo que irá vir a ser.

Nota: 7

A primeira regra é não falar sobre…

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Aclamado e odiado pela turma Cult, um dos livros mais controversos da nossa época, o Clube da Luta consegue até hoje arrebatar fãs pelo mundo todo

É quase impossível que você não tenha ouvido falar sobre alguma regra do fictício clube criado pelo escritor americano Chuck Palahniuk, há 14 anos. Talvez o que você mais tenha ouvido é: A primeira regra do clube da luta é não falar sobre o clube da luta.

A história escrita no livro gerou até filme homônimo, dirigido pelo diretor David Fincher, e estrelado pelos atores Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter. O que você vai encontrar não é muito diferente do que se vê no filme (claro, se você já assistiu ao filme). Existem alguns detalhes distintos, principalmente com relação ao final da obra, mas o contexto e a essência são os mesmos.

O consumismo é a principal crítica do autor.  O que fica subentendido no enredo é que o consumo é o meio pelo qual o personagem principal procura manter se satisfeito. O consumo também será o motivo de ter algo errado na vida do personagem. Para aliviar o seu próprio desconforto e por recomendações de seu médico, ele resolve ir a encontro de pessoas com doenças terminais.

É em falsos choros e abraços aconchegantes que o narrador encontra a paz, mas não por muito tempo. Assim que ele vê Marla, alguém que é tão farsante quanto ele, ele volta a se incomodar. Na sua própria confusão encontra Tyler, totalmente diferente dele, seguro, corajoso, energético e até um pouco insano. Os dois se conhecem e formam o Clube da Luta (isso é um resumo bem básico, táh).

Conforme a narrativa evolui percebemos que a autodestruição provocada pelo clube é apenas um modo para se libertar. Tanto para o narrador quanto para Tyler, você só poderá ser completo se você se livrar de tudo aquilo que acha que o faz satisfeito. O livro todo é uma crítica irônica ao caminho que a nossa sociedade está percorrendo e toda a nossa fascinação e frustração pelo “ter”.

Agora sem questionamentos filosóficos, é um material de leitura fácil, você vai consumir as 272 páginas rapidamente e é bem provável que no decorrer da leitura você se identifique, questione-se. Detalhe, não é revelado o nome verdadeiro do narrador.

Apesar de ser 1996, foi relançado em 2012, pela editora Leyla Brasil e pode ser encontrados em todas as livrarias do Brasil.

E ainda sobre aquele papo feminista…

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Há material de sobra na rede para aqueles que ainda estão boiando ou que querem se aprofundar mais no assunto feminismo. Muitos destes sites são blogs, o que não tira o crédito dos textos pelo contrário a linguagem usada facilita muito na hora da leitura.

É claro que não se pode tirar o crédito de livros (é sério). Sempre acreditei e continuo achando que se você realmente quer conhecer sobre um assunto deve primeiramente ou segundamente (se você preferir) pesquisar em livros. Mesmo que a linguagem de um blog, seja de fácil deglutição (Alô Angela Bismarchi), nunca poderá substituir a veracidade das informações de um livro.

Porém para facilitar a vida, vou citar aqui alguns dos blogs que venho acompanhando já faz um tempo, e que me ajudaram a entender um pouco melhor o assunto:

Blog da Lola: Bom, esse blog já é bem conhecido por quem se considera feminista, a criadora se chama Lola Aronovich, é doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC. O bacana deste blog é que ele é “quase sempre” feito com relato de leitoras, que procuram contar as suas dificuldades, o que faz com que você acabe se identificando.

Blogueiras Negras: Outro blog bem famoso, os textos são bem ricos e muitas vezes tratam um ponto de vista mais rebuscado cheio de questionamentos que nem tinham passado pela sua cabeça em determinado assunto. Apesar de ser um blog especifico para quem é negro (isso não é uma regra), há bastantes textos sobre situações que todas as mulheres já passaram.

Olga: Não sei bem se é um blog feminista, até porque na descrição a autora diz que procura discutir a feminilidade. Os assuntos tratados no blog são bem diversificados. Mas atenção não esperem dicas de moda ou beleza, a discussão é bem mais aprofundada, pois os textos tem caráter de reflexão sobre a mulher de hoje e todos os problemas/soluções que a acompanham.

Bom espero que tenham gostado das minhas dicas inté 🙂

Ps.: O site da Carta Capital, recentemente disponibilizou uma área só para esse assunto, se chama Feminismo pra quê?. Enjoy!

Como me tornei feminista

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Para começar esse texto é preciso afirmar que eu não me tornei feminista, eu sempre fui. Sério. Sempre fui, porque nunca achei que pelo fato de ser mulher, eu tinha que ser tratada de maneira diferente. E que por isso não poderia exercer qualquer profissão ou fazer qualquer coisa. Eu sempre acreditei que ser um ser humano era o suficiente.

 Mas você vai crescendo, vai notando como o mundo funciona. Como te tratam diferente quando você resolve jogar futebol ao invés de vôlei.Quando você quer comprar o carrinho e não uma boneca, porque pra você o carrinho parece mais interessante e oras é você que vai brincar com o carrinho, qual é o problema?

Hoje eu vejo que essa visão está tão inserida em mim que não questiono quando me sinto mal toda vez que não estou tão interessada no lançamento do novo modelo de maquiagem, ou quando não sou a pessoa mais empolgante para ficar horas e horas escolhendo uma roupa na loja.

Mas esse texto não é sobre mim, mas é sobre tudo. É sobre todo mundo e principalmente sobre todas as mulheres. Feminista é uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica dos sexos. E eu sei que você, caro leitor (claro se você for psicologicamente saudável), vai pensar ora, mas isso parece óbvio. Pois é, eu também acho, mas infelizmente tem muita gente que não acha, quer dizer não é que não acha, é que não sabe. Que até acha que feminismo é falta do que fazer.

Há uma visão generalizada da causa, e se fosse só isso, mas tendem a achar que para ser feminista você não pode ser feminina, você deve esquecer a depilação e ou (essa é a melhor) odiar homens (gente isso se chama misandria, mais uma vez, Google ta ai neh). Apesar de existir de fato algumas vertentes feministas que defendem a não depilação, é preciso entender que isso está além, que isso é uma forma de libertação por parte de quem faz isso (por que convenhamos você precisa estar bem segura de si, para decidir não mais se depilar e expor isso). Essa generalização que infelizmente colocamos em tudo, distorcendo realidades, para parecer mais confortável (Para quem neh). Alias é isso, é essa enorme distorção que essa sociedade ainda alimenta em cada estereotipo de como devemos nos comportar.

Ainda existe uma obrigação tremenda em como homens e mulheres devem se comportar e óbvio que isso incomoda. Incomoda quando você resolve dizer ei cara! Eu existo e posso dizer não, eu posso escolher transar, beijar, ficar com quem eu quiser, e eu posso me vestir da maneira em que me sinto bem e tudo bem. E é sobre isso que é o feminismo. É sobre liberdade, sobre a liberdade que você tem sobre o seu corpo e sobre quem você é.

É sobre poder sair com a roupa que você quer sem que isso seja uma desculpa para um possível estupro. É sobre nem sempre gostar de ouvir um “elogio” quando tudo o que você quer é voltar pra casa, pois está cansada demais ou atrasada demais para o trabalho e nem pensou que sua roupa era um pretexto para todos os caras babaram em cima de você. É sobre você não querer ser feminista também, por que não?

É sobre isso tudo e muito mais, é sobre pensar que nenhuma violência, ofensa e forma de opressão são justificáveis. É sobre essa opinião babaca que tudo isso é mimimi e falta de louça pra lavar.

Então eu deixo o meu apelo: mesmo se você não for feminista, mesmo se você achar que isso é besteira. Espero que você pense e que avalie tudo isso e que perceba que lutar pelos seus direitos não é o problema, e sim a solução. E que isso é um direito de todos.

Sobre aqueles com coragem…

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É difícil imaginar, no mundo de hoje, cheio de corporativismo, onde o que mais prevalece é o que você tem e não o que você é. Somos inevitavelmente guiados para o caminho do ganhe ganhe ganhe, e olha eu nem tô falando do negócio de gastar ou no que se gasta. Apesar de que isso também tem haver.

E nesse ritmo louco, onde a gente nem sabe direito se vai dar certo até mesmo aquelas carreiras que todo mundo diz que o emprego é garantido, que a gente encontra alguns casos de pessoas que largaram o óbvio pelo duvidoso.

Existem inúmeros de exemplos, inclusive gente que conseguiu uma popularidade na internet, desde gente que largou a carreira de vendas de máquinas para fazer chapéus, até quem largou uma carreira estável na publicidade para fazer um canal no youtube. Eu não sei como isso atinge você, mas pra mim toda vez que leio uma dessas histórias eu fico muito inspirada.

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Eu fico muito feliz de saber que mesmo com toda essa gosma que insiste em colocar a gente em uma forma para assim nos adaptarmos ao mundo e não causarmos problemas, ainda assim, eu vejo gente com coragem suficiente pra dizer chega. Pra não seguir a manada, pra ter a capacidade de dizer ei eu posso escolher.

Esse post é justamente pra isso, é pra dizer que é sempre bom lembrar que a gente pode. Mesmo que todo mundo não te apoie nas suas loucuras, existe um mundo muito grande e tem muitas pessoas que se arriscam e vão atrás daquilo que acreditam. Esse post é sobre isso, é sobre aqueles que têm coragem.

Continue…Amando aquilo que faz…

eu-no-continue-curioso

A internet tem muita coisa e você pode se sentir perdido com todo esse conteúdo e  suas infinitas possibilidades.Mas no meio de todas essas informações geradas pela rede sempre tem alguma coisa que me deixa orgulhosa de fazer parte da geração Z.

Continue Curioso…

É um projeto/série documentário que tem como objetivo relatar pessoas como nós, que saíram dos seus empregos convencionais para seguir o seu coração.

Criação da redatora Juliana Mendonça e da fotógrafa Cristiane Schmidt, ambas também largaram suas possíveis carreiras para trilhar o desconhecido.

Aliás, a palavra que define melhor o ideal desse projeto é o desconhecido. O mergulho na impossibilidade de segurança não só profissional, mas também pessoal. Todos os entrevistados deixaram suas “âncoras” e foram correr o risco sem nenhuma certeza de sucesso.

Continue-Curioso

E questionar a definição de sucesso da sociedade atual, é necessária uma coragem enorme, e  imaginar que existe esse tipo de  pessoa é inspirador.

Os vídeos são postados uma vez por mês, por isso admito, que para alguém como “eu” que sofro de ansiedade mutua, fica aquele gostinho de quero mais… Mas o resultado de edição dos vídeos é realmente surpreendente por isso é compreensível a espera.

Recomendo pra quem é curioso assim como eu,  como também pra quem está nesse conflito que uma hora ou outra acaba passando por nós.

Ah detalhe vale a pena dar uma olhada nos trabalhos de alguns dos entrevistados…

Se você quiser saber mais, as criadoras deram uma entrevista para o site da TPM, que você pode conferir aqui

E claro:

http://continuecurioso.cc/

Canal no Youtube