O Gay na TV

gay

Os poucos personagens gays que caíram no gosto popular brasileiro possuem uma característica em comum: São caricatos. Quando os personagens não se encaixam nessa categoria e acabam se aproximando de um comportamento mais natural, há uma dificuldade de aceitação da obra por parte do público. Como consequência o desempenho do personagem é afetado no decorrer da trama.

O que significa um personagem caricato? Caricaturas são uma distorção da realidade. São uma ou mais características marcantes, não necessariamente físicas, onde o resto da obra é formado. Quando se trata de gays em novelas, o que se vê é algo ligado a comédia, as diferenças do personagem são destacadas com intuito de entreter, mas não com a intenção de mostrar a sua humanidade.

Um bom exemplo, o personagem da novela Amor à Vida, Max Felix. Apesar de ser o vilão, fez um grande sucesso com o seu jeito espalhafatoso e seu humor negro. Por consequência, sofreu uma reviravolta: De vilão passou a ser o mocinho e foi responsável pelo primeiro beijo gay da emissora Globo. Mesmo com suas maldades, Felix, por ser um personagem caricato, obteve uma aceitação do público, que torceu para que o seu final fosse feliz.

Símbolo Lésbica

Entretanto, com a novela Babilônia, a história foi diferente. Dessa vez, os personagens eram duas mulheres idosas, praticamente casadas e que já nas primeiras cenas encenaram um beijo. As duas não representavam nenhum dos estereótipos lésbicos que o público espera, não eram masculinizadas, não eram caricatas e não eram um casal jovem.

A repercussão foi tão negativa que alguns setores religiosos pediram para que o público boicotasse a novela, afetando até a direção da emissora, que teve que cortar algumas cenas de afeto do casal como estratégia para melhorar a audiência. Diferente do que estamos acostumados a ver em novelas, as duas representam uma trama mais realista. 

Há muito tempo gays são retratados nas novelas, em sua maioria, caricatos e humorísticos. Porém, os exemplos de rejeição que acompanhamos em relação as duas personagens da novela Babilônia revelam uma faceta ainda bastante preconceituosa do público brasileiro. O desprezo, quase unânime ao casal, evidência que o público não aceita personagens gays que só representem um drama real em vez de entreter. 

Dessa forma, fica bem claro que não é que um personagem gay seja prejudicial para quem vê a novela, mas sim, que retratá-los de maneira natural é um atestado de que ser homossexual é normal. E isso é uma coisa que o público não quer ver em sua TV.

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