A mulher na mídia

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Por mais que tenhamos avançado nas questões de igualdade de gênero parece que, quando se trata de meios de comunicação, o retrato da mulher ainda é distorcido. Não só em meios, como a publicidade, que sempre usam a imagem da mulher para promover os seus produtos, como no jornalismo, que ao invés de informar, acaba mais desinformando ao reforçar estereótipos de como elas são.

Isso, obviamente, não acontece só no Brasil, não precisa ir muito longe para descobrir que a maneira como a mulher é retratada na mídia é bem pejorativa e poderia dizer que isso até uma tendência mundial.

Existem muitos exemplos sobre como a representação da mulher ainda é bem desagradável se comparada com a do homem. Ainda mais, se estivermos falando de pessoas de ambos os sexos que ocupam cargos iguais, fica evidente como o tratamento é diferente, mesmo em situações semelhantes.

A presidenta Dilma Rousseff (que atualmente se encontra afastada do cargo) é um dos grandes modelos de como a mídia pode reforçar estereótipos. O fato da presidenta ser uma mulher, dá margem para que o destaque em relação a sua imagem pública seja apenas para coisas irrelevantes. Não era incomum encontrar matérias sobre o peso de Dilma ou até mesmo seus passeios de bicicleta.

Além disso, por causa da crise que ocorreu em seu governo capas de revistas costumavam retratá-la perdendo o controle ou histérica, um estereótipo há muito associado à mulheres. Esse mesmo tratamento, não foi dado ao presidente interino Michel Temer quando esse disse estar sofrendo de pressões psicológicas por causa da oposição.

Outro exemplo, são as matérias onde o assunto é sobre violência contra a mulher. Nesses casos, é normal encontrar uma tentativa de pôr em dúvida o discurso da vítima. Expressões do tipo: “Declarou suposta agressão”, “suposto estupro” são padrões, mesmo se há indícios concretos que houve mesmo uma violação.

Dois casos recentes que exemplificam bem essa situação são as agressões que ocorreram com a atriz Amber Heard, que acusou o seu ex-marido Johnny Depp de violência doméstica, e a também atriz e ex-modelo brasileira Luiza Brunet, que acusou seu ex-companheiro. Ambas divulgaram fotos para provar, contudo, suas declarações foram questionadas.

Outro jeito bastante peculiar da mídia retratar mulheres, é quando estas são namoradas ou ex-namoradas de algum homem famoso. Aparentemente, nestes casos, para ela, parece que a mulher não existe além de seu companheiro. Ela é sempre a “ex” ou a “namorada” e, muitas vezes mesmo que ela tenha uma fama equivalente, o seu nome não é revelado no título.

Nesta matéria sobre Bruna Marquezine e Neymar,  é possível ver que o nome de Marquezine é simplesmente omitido, citando a apenas como ex-namorada. E aqui, o nome da nadadora nem é citado no título da matéria. Ela é apenas indicada como “a namorada do piloto F-1”. Aliás, além de omitirem o nome da nadadora, também não colocaram qual é o nome do piloto.

Na publicidade, há anos as mulheres são representadas de maneira depreciativa e muitas vezes ofensiva. Quem não se lembra da campanha da empresa NET onde uma princesa encontra a felicidade ao transformar um sapo em um cartão de crédito, fazendo referência ao mito do príncipe encantado. Ou até mesmo, as centenas de propagandas de cervejas que insistem em sempre colocar a mulher como um objeto ou, até mesmo, reforçar o comportamento machista.

A marca de cerveja Skol foi responsável por um episódio no qual, em uma campanha para o carnaval de 2015, a marca insinuava frases de cunho machistas como: “Esqueci o não em casa”, “Tô na sua mesmo sem saber qual é a sua”, entre outras.

Esses são alguns dos muitos casos que podemos encontrar na mídia, em que muitas vezes a imagem da mulher, se não implicitamente desrespeitada, pode ser transformada em um tipo de caricatura composta de vários estereótipos. Muitos deles, ao invés de tentar se aproximar mais da realidade feminina, têm o objetivo de reforçar uma visão para agradar o universo masculino.

Vivemos uma época muito próspera para que a igualdade de gênero seja cada vez mais uma pauta no cotidiano. Porém, devemos admitir que se parte da mídia não acompanha esse raciocínio, não se esforça para dar um espaço mais coerente para as mulheres, evitando estereótipos, posicionamentos confortáveis e descreditar o que elas falam, o caminho será cada vez mais difícil para que esse ideal aconteça.

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E ainda sobre aquele papo feminista…

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Há material de sobra na rede para aqueles que ainda estão boiando ou que querem se aprofundar mais no assunto feminismo. Muitos destes sites são blogs, o que não tira o crédito dos textos, pelo contrário, a linguagem utilizada facilita e muito na hora da leitura.

É claro que não se pode tirar o crédito de livros (é sério). Sempre acreditei e continuo achando que, se você realmente quer conhecer sobre um assunto, deve, primeiramente, pesquisar em livros. Mesmo que a escrita de um blog seja de fácil deglutição (Alô Ângela Bismarchi), ainda é importante consumir livros como forma de incorporar mais conhecimento.

Porém, para facilitar a vida, vou citar aqui alguns dos blogs que venho acompanhando já faz um tempo e que me ajudaram a entender um pouco melhor o assunto:

Blog da Lola: Bom, esse blog já é bem conhecido por quem se considera feminista, a criadora se chama Lola Aronovich, é doutora em Literatura em Língua Inglesa pela UFSC. O bacana dele é que os textos contem muitos relatos de leitoras. E  por meio das dificuldades delas você acabe se identificando.

Blogueiras Negras: Outro blog bem famoso, os textos são bem ricos e muitas vezes tratam um ponto de vista mais rebuscado. Há bastante questionamentos, e não incomum que você se pegue pensando como aquele assunto nunca passou pela sua cabeça antes. Apesar de ser um blog específico para quem é negro (isso não é uma regra), há textos sobre todos os tipos de situações e para todas as mulheres.

Olga: Não sei bem se é um blog feminista, até porque na descrição a autora diz que procura discutir a feminilidade. Os assuntos tratados no blog são bem diversificados. Mas atenção não esperem dicas de moda ou beleza, a discussão é mais aprofundada, pois os textos têm caráter reflexivo sobre o papel da mulher de hoje e todos os problemas/soluções que a acompanham.

Bom espero que tenham gostado das minhas dicas inté 🙂

Ps.: O site da Carta Capital, recentemente disponibilizou uma área só para esse assunto, se chama Feminismo pra quê?. Enjoy!